Era manhã e os raios do sol recém-nascido acariciavam minha pele confortando-me com o pouco calor que podiam oferecer naquela manhã ainda fria. A grama ainda molhada do orvalho pinicava levemente minhas costas e pernas, mas nada que pudesse atrapalhar o prazer de banhar-se aos primeiros raios de sol da manhã. O dia era extremamente agradável, o céu parecia mais azul e as nuvens pareciam dançar ao sabor da leve brisa. O terreno, sem árvores, flores ou sequer arbustos, apenas seu gramado verde me parecia muito belo, apesar de sem enfeites. Quando me dei por mim, estava sorrindo. Sorrindo como uma pequena criança, sem qualquer motivo aparente, se não a beleza daquele dia agradável e o afago da brisa e dos primeiros raios de sol. Estufei o peito e abri os braços para respirar o agradável ar da manhã, puro, longe da cidade. Ao fazê-lo, notei algo estranho entre os dedos de minha mão direita. Ergui o tronco e diante dos meus olhos estava uma flor. Pequena, de pétalas rosadas e delicadas sobrepondo-se ao infinito verde daquela planície. Era como se outrora se fizesse sobre meus olhos, eu estava ali parada perplexa diante da beleza estonteante do natural como em tempos atrás quando os detalhes simples sempre valiam mais do que as preocupações e exatidões da vida, uma criança se a passou de mim naquele instante, eu era a doce menina que meu pai chamava de minha princesa novamente, assim por poucos segundos enquanto me perdia naquela imensidão verde delicadamente pintada num pequeno tom de rosa representado pela pequena flor. Essa que me espelha tanto também, sou como ela, única e solitária em meio à imensidão do mundo prestes a ser colhida por outrem, e perdida diante do tempo que ira passar. Mais no agora vou banhar esta que se encontra entre meus dedos com o brilho de meus olhos, esse que a tempo não raia ou reluz, então posso perceber o quanto um pouco de solidão, silêncio e sol podem fazer bem às vezes, assim posso me perder em meu mundo único de pensamentos e fugir da realidade que me afasta de pequenos detalhes como um amanhecer. Que eu possa abrir minha mente, olhos e pele todos os dias para as dadivas que a vida me proporciona de graça, sem que eu precise pagar um preço caro ou curto para tal, que eu possa ser simples como esta grama verde e bela como as cores desta pequena flor, que eu possa reluzir como o sol,que eu possa sentir-me bem e fazer o bem, que eu possa a cada dia poder respirar com calma e esquecer do mundo de fora e me prender nem que seja por alguns segundos no meu mundo, esse que existe apenas quando fecho os olhos. Então feche os olhos agora pequena, sinta o vento e sorria, a vida está ai, para você viver.
Só uma garota de 17 anos que não fugiu de casa às 7 horas da manhã do dia errado. Não levou na bolsa umas mentiras pra contar. Ela ama os pais e não tem um namorado ...
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